"Caetano é um cara que, ou se ama, ou se odeia", disse um amigo meu durante um longo papo sobre música que tivemos. E é exatamente isso. No que se refere a Caetano Veloso, creio não existir meio termo, é como se cada mentalidade tivesse uma polaridade, positiva ou negativa, que se vai se atrair ou se repelir.
Sem papas na língua, já contrariou muita gente falando o que pensa. Durante o regime militar, foi uma das mentes criadoras do movimento tropicalista, que foi uma afronta à repressão do governo. Os tropicalistas não tinham um comprometimento político, mas achavam que a mudança na arte já era, em si, uma forma de protesto. Caetano, junto com o amigo e também importantíssimo artista brasileiro Gilberto Gil, foram exilados do Brasil por conta de suas canções.
Um fato inegável é: Caetano é de fundamental importância para a música brasileira. Tão influente que é difícil imaginar o Brasil sem ele. Como seria a música no país se ele não tivesse existido? As composições de Caetano revelam uma mente absurdamente brilhante. Mesmo quando suas canções têm um sentido banal, continuam tendo um traço poético no fundo. Caetano sempre esteve à frente do seu tempo, e até hoje, quando o tal "sertanejo universitário" (dentre outros estilos musicais sem conteúdo) se propaga com tanta força no Brasil, podemos voltar 30 ou 40 anos, trazer uma obra de Caetano ao presente e ver como ela ainda tem mais objetividade, mais conceito e mais impacto do que a maioria dos lançamentos atuais. Suas criações não são perecíveis ao tempo, tampouco substituíveis.
Ano passado, Gal lançou um disco idealizado por ele, desde as canções até os arranjos, o "Recanto" (falarei mais sobre ele num outro momento). O interessante é que ele é todo fundamentado na música eletrônica, o que traz uma Gal moderna e revitalizada, embora a eletrônica não seja inteiramente nova para eles, nem a ousadia de Gal (no melhor sentido) também. Pra quem não conhece a carreira dela, fica difícil entender aquilo, pode soar complexo, estranho, ilógico e até ruim. Mas pra quem sabe da sua trajetória, vê naquele disco uma retrospectiva da vida dela, um retrato do que ela viveu, do que ela foi e é. Gal abraçou a ideia de uma forma admirável. O show, que também é dirigido por Caê, é um dos mais impressionantes atualmente. Ela está a todo vapor, rejuvenescida, e a estética sonora da turnê é uma das coisas mais maravilhosas que o Brasil está presenciando no que diz respeito à música, não exatamente pela eletrônica, mas pela força e impacto que causa. Claro que, sem Gal, Recanto não existiria. O disco é dela e é ela quem está se colocando à frente, mas é também uma clara representação da genialidade de Caetano. Tão espetacular que proporcionou à sua amiga um dos momentos mais marcantes de sua carreira.
Caetano é influente, crítico, ousado, moderno, excêntrico. Com isso, divide opiniões. Mas no fundo, acho que quem não gosta dele, não o odeia realmente, só não o compreende. Como eu li em algum lugar, que não lembro onde para citar a fonte, ele é tão fascinante que um dia, no futuro, haverão dúvidas se ele realmente existiu ou se é uma lenda. Pra mim, Caetano é um gênio, e eu amo.

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